O Potencial do Agro no Mercado de Carbono

Com investimentos verdes, mercado de carbono no agronegócio brasileiro pode chegar a R$ 17 bilhões até 2030. Contudo, ainda depende da aprovação de uma lei  

O mundo empresarial está de olho no mercado de carbono, após a finalização do livro de regras do Acordo de Paris, principal avanço da COP26, a Conferência do Clima.

Para o Brasil, o mercado de carbono é uma grande oportunidade de negócios. Isso porque, a tendência é que os créditos de carbono virem a próxima commodity do agronegócio.

Em 2020, o mercado internacional de créditos de carbono movimentou US$ 53 bilhões e compensou mais de 20% das emissões globais de GEEs (gases de efeito estufa). 

Assim, quanto mais ações voltadas à agricultura de baixo carbono o Brasil tiver, maiores ganhos poderá ter no agronegócio.

E o potencial que temos para gerar créditos de carbono é enorme. Saiba mais neste artigo!

O que é e como funciona o mercado de carbono?

O mercado de carbono é um instrumento por meio do qual se busca reduzir as emissões dos GEEs, como o gás carbônico (CO2) e metano (CH4), na atmosfera.

Ele prevê que países e empresas reduzam emissões. Mas, caso emitam acima do acordado, possam neutralizá-las ou compensá-las com a compra de créditos de carbono gerados por terceiros.    

Há dois tipos de mercado de carbono: o regulado e o voluntário.

1. Mercado de carbono regulado

É regulado pela ONU (Organização das Nações Unidas) e surgiu do Protocolo de Kyoto, acordo assinado em 1997, durante a COP3, por países desenvolvidos.

A meta era de redução das emissões de GEEs em 5,2%, devido aos níveis registrados em 1990. Os países emergentes não foram obrigados a se comprometer.

Além disso, foram criadas obrigações legais para empresas que atuam nos territórios de tais países, visando a redução das emissões e a compra de créditos de carbono.

2. Mercado de carbono voluntário

O mercado de carbono voluntário surgiu paralelo ao Protocolo de Kyoto, a partir das VERs, sigla em inglês para Reduções Voluntárias de Emissões. 

No mercado voluntário, as empresas podem gerar ou comprar créditos de carbono de forma voluntária. Isso desde que auditados por entidades independentes, que podem usar metodologias próprias de avaliação.

Esses créditos não são passíveis de registros pela ONU. Por isso, não servem para comprovar a redução das emissões de GEEs pelos países que assinam acordos internacionais. 

A diferença principal entre os dois tipos é que o mercado de carbono voluntário costuma ter um preço maior que o mercado de carbono regulado. 

Isso porque, no mercado de carbono voluntário há grande procura de empresas que buscam neutralizar suas emissões com a compra dos créditos de carbono gerados por terceiros. 

Qual a importância do mercado de carbono?

De acordo com o Global Carbon Offsets Report, atualmente um crédito de carbono, que equivale a 1 tonelada de gás carbônico que deixou de ser emitido, está avaliado em US$ 7,21.

Para o Brasil, o mercado de carbono possui grande importância, sobretudo porque para cada hectare de floresta em pé na Amazônia o estoque de carbono armazenado equivale a 400 toneladas de CO2.

Assim, o mercado de carbono é uma forma de incentivar a redução dos GEEs na atmosfera.

Atualmente, conforme a COP26, são 197 países, entre desenvolvidos e emergentes, comprometidos com ações que não impactam nas mudanças climáticas. 

Mudanças estas que estão cada vez mais evidentes em todo o mundo: com enchentes; secas prolongadas; geadas; derretimentos das calotas polares; e aumento do nível do mar.

Esses problemas afetam, sobretudo, os países emergentes, onde há, em algumas situações, a escassez de alimentos.

No Brasil, por exemplo, a economia entrou em “recessão técnica” recentemente por conta da redução do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), influenciado pela queda da produção agrícola, por conta da seca e geada em 2021, além de outros fatores. 

Além do agravamento dos problemas relacionados às mudanças climáticas, há uma projeção de crescimento populacional, que deve chegar a 9 bilhões de pessoas em 10 anos.

Isso requer ações voltadas para a viabilização da sustentabilidade na produção de alimentos.  

Agricultura e a comercialização de créditos de carbono

A previsão é que a produção de alimentos no mundo tenha de aumentar em 70% em até 10 anos. Destes, 41% deve se originar no Brasil, de acordo com a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico).  

Esse protagonismo do Brasil traz grande responsabilidade ao agronegócio nacional. Assim, é preciso intensificar as ações para redução dos GEEs, junto a práticas agrícolas que resultem no sequestro de carbono.

Até mesmo porque a atividade rural do Brasil é responsável direta ou indireta por 72% das emissões de gases de efeito estufa, conforme dados de 2020

Ao longo dos anos, o Brasil tem dados exemplos de como praticar uma agricultura sustentável e de baixo carbono, por meio do Plano ABC, mas é preciso que essa política, aliada à inovação e tecnologia, esteja cada vez mais presente no campo.

Neste contexto, o mercado de carbono pode servir como um incentivo a mais para a adoção de práticas sustentáveis na produção agrícola.

Dentre essas práticas, estão: a adoção de tecnologias que resultem em baixo impacto ambiental; e o uso eficiente dos recursos naturais, a exemplo da água na irrigação.

Desafios para o agro brasileiro no mercado de carbono

Durante a COP26, o Brasil teve grande protagonismo, já que a proposta de regularização do mercado internacional de carbono foi de autoria do governo brasileiro.

Com a proposta, haverá a criação de um órgão para intermediar as negociações da compra e venda de créditos de carbono no mundo. Com isso, os países poderão realizar negócios entre si, o que antes era restrito ao mercado voluntário. 

O CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável) afirma que o Brasil pode reduzir as emissões de GEEs em até 42% até 2025.

Com a economia de baixo carbono e a proteção de biomas, a estimativa é que os investimentos verdes cheguem a R$ 17 bilhões até 2030.

Mas o país precisa correr com sua legislação local.

O Projeto de Lei 528/21, que institui o MBRE (Mercado Brasileiro de Redução de Emissões) e regula a compra e venda de créditos de carbono no país, ainda tramita na Câmara dos Deputados.

A proposta é que o crédito de carbono seja um certificado que atesta e reconhece a redução de emissões de GEEs.

Com isso, projetos de reflorestamento, por exemplo, poderão ser atrelados a ações de redução de GEEs, e negociados com empresas, governos ou pessoas físicas.

No campo, o desafio é fazer avançar as práticas de agricultura de baixo carbono, o que o vem tentando ser feito por meio do ABC+, versão atualizada do Plano ABC.

Com o novo ABC, a ideia é reduzir a emissão de carbono em 1,1 bilhão de toneladas até 2030, a partir da introdução de tecnologias de produção sustentável em 73 milhões de hectares, no prazo de 9 anos.

Conclusão

O Brasil tem dado passos importantes rumo à produção agrícola de baixo carbono. Mas, ainda há desafios importantes para se vencer, como a aprovação de lei sobre o mercado de carbono e a expansão do Plano ABC.

Ao mesmo tempo, é necessário que haja maior fiscalização com relação aos crimes ambientais, para que o desmatamento da Amazônia e outros biomas seja reduzido a zero.

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