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Como identificar e manejar as principais pragas da cana-de-açúcar

A cana-de-açúcar é umas das culturas de maior importância mundial, e vem ganhando cada vez mais espaço no agronegócio. Tento pelo seu potencial na produção de biocombustíveis e claro, pela grande produção de açúcar. 

Atualmente o Brasil é o maior produtor de cana de açúcar no mundo. A estimativa de produtividade brasileira da cana-de-açúcar, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), é de 642,7 mil toneladas na safra de 2019/2020.

A produção de cana de açúcar na safra 2019/2020 é cerca de 4% maior que a safra anterior. Esse aumento vem da expansão da renovação dos canaviais e do clima favorável para a cultura.

Pragas da cana-de-açúcar

Apesar das inovações e do crescimento da produtividade, a cultura da cana é frequentemente afetada, não só por mudanças climáticas, mas também por ameaças como doenças e pragas que podem reduzir a produtividade ou até mesmo matar as plantas do canavial. Por esta razão, é de extrema importância conhecer as possíveis ameaças à cultura para saber utilizar o manejo mais eficiente para cada situação. 

Entre as muitas pragas que atacam a cana-de-açúcar, a broca-da-cana e a cigarrinha-da-cana são insetos que causam sérios danos e muitos prejuízos para o produtor.

BROCA DA CANA-DE-AÇÚCAR

A broca-da-cana é uma praga da ordem Lepidoptera. O ciclo da praga pode durar até 90 dias, podendo ocorrer de 4 a 5 gerações no ano. Em períodos de alta temperatura e umidade a broca-da-cana apresenta maior incidência. Os danos mais severos são encontrados em plantas jovens e em desenvolvimento.

Presente em todo território nacional, a broca da cana-de-açúcar (Diatraea saccharalis) é considerada a praga de maior importância na cultura da cana-de-açúcar. 

Na forma adulta, a broca da cana é uma mariposa de cor amarelo-palha, asa inferior branca e superior com manchas escuras. A fêmea coloca seus ovos na face das folhas da planta. Quando saem dos ovos, as lagartas se alimentam do tecido da folha por um tempo e nas fases posteriores de desenvolvimento migram e perfuram o colmo da cana-de-açúcar, e permanecem ali para se alimentar, resultando na formação de galerias abertas.

Figura: 1: Adulto da broca da cana por: Hanna Royals, Screening Aids, USDA APHIS PPQ, Bugwood.org
Figura 2: Galerias formadas no colmo pela lagarta. Foto: Garcia, J.F., 2013
Figura 3: Sintoma de podridão. Foto:  Garcia, J.F., 2013
Figura 4: massa de ovos da broca da cana-de-açúcar. Foto: Garcia, J.F., 2013

Conheça os prejuízos diretos na cultura causados pela alimentação das lagartas:

  • perda de massa;
  • morte das gemas; 
  • tombamento por ação dos ventos quando as galerias são formadas na transversal, impedimento do fluxo da seiva; 
  • enraizamento aéreo.

Também são observados importantes danos indiretos como a maior facilidade à infecção por microrganismos que causam doença, como fungos causadores da podridão vermelha, que utilizam as galerias como porta de entrada na planta. 

Controle da broca-da-cana

Para o controle da broca da cana-de-açúcar, a utilização de defensivos químicos apresenta baixa eficiência uma vez que a praga passa boa parte de seu ciclo de desenvolvimento dentro do colmo.

Uma alternativa para isto é o controle biológico, que utiliza de parasitoides das larvas como Cotesia flavipes ou parasitoides de ovos como Trichogramma galloi. A eficiência da redução da população da broca da cana-de-açúcar é bastante alta. 

Além disso, recomenda-se priorizar o plantio de variedades resistentes as pragas, uma vez que, dependendo do tamanho da propriedade, o controle biológico pode não ser suficiente e a broca pode causar grandes perdas na produtividade.

CIGARRINHA DA CANA-DE-AÇÚCAR 

Esta praga também conhecida como cigarrinha das raízes (Mahanarva fimbriolata) se tornou um grande problema para a cultura da cana-de-açúcar com o aumento da colheita mecanizada nos canaviais.

A razão para isso acontecer é que a cigarrinha da cana-de-açúcar se beneficia do acúmulo de palha, que cria um ambiente úmido excelente para o seu desenvolvimento.  A praga pode ser encontrada em todas as regiões canavieiras do Brasil e seu ataque pode reduzir a produtividade na ordem de 15% a 80%. 

Figura 1: espuma branca produzida pelas ninfas da cigarrinha. Foto: Garcia, J.F., 2013
Figura 2: Adulto da cigarrinha da cana-de-açúcar. Foto: Garcia, J.F., 2013

Na fase de ninfa, as cigarrinhas se alimentam da seiva das raízes. Ao se alimentarem causam desidratação da planta, já que os componentes da seiva não são transportados para o resto da planta. Essa falta de seiva causa desidratação da planta e aumento do teor de fibra, o que não é bom para a produção de sacarose da cana-de-açúcar. A identificação de um tipo de espuma branca no solo próximo as raízes da planta é um indicativo da presença da ninfa. 

Na fase adulta, as cigarrinhas podem se alimentar a partir das folhas e colmos. Neste caso, durante a sucção da seiva as cigarrinhas liberam uma toxina que causa danos ao tecido que são identificados por manchas cloróticas, seguidamente de tom avermelhado que se tornam cloróticos em estágios mais avançados. 

Os danos causados a folha interferem na fotossíntese da planta, resultando na diminuição da produção de sacarose pela planta. 

Colmo desidratado em resultado do ataque da cigarrinha da cana-de-açúcar. Foto: Garcia, J.F., 2013

Controle da cigarrinha da cana-de-açúcar

O controle da cigarrinha da cana-de-açúcar deve ser realizado com base nas informações do monitoramento da praga. Antes que a população atinja o nível de dano econômico para a cultura.

É necessário realizar diferentes medidas de controle para um manejo eficiente da praga, como controle químico com a utilização de inseticidas. Na fase de ninfa, quando a cigarrinha está sob a espuma produzida não há um controle eficiente com inseticidas de contato. 

Em todas as fases de vida da praga pode-se utilizar o controle biológico com a utilização do fungo Metarhizium anisopliae. O fungo infecta e coloniza ninfas e adultos da praga, provocando sua morte. 

Além da cigarrinha e da broca da cana-de-açúcar, outras muitas doenças e pragas ocasionam danos muitas vezes irreversíveis na lavoura da cana-de-açúcar. A adoção do manejo integrado de pragas (MIP) é uma opção eficiente e com medidas que visam manter a população das pragas abaixo do nível de dano econômico. 

Além de garantir a produtividade da cultura, o manejo correto também reduz possíveis casos de resistência de pragas aos inseticidas, além de auxiliar na redução dos custos de produção.

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