Clima e Tempo

Mudanças climáticas são irreversíveis no curto prazo e já afetam todo o planeta

Ações humanas têm peso significativo no cenário mundial de mudanças climáticas, aponta o IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas)

O clima em nosso planeta está mudando e cada vez mais os impactos dessa mudança devem ser percebidos no campo. 

A má notícia, em meio a isso, é que essas mudanças são irreversíveis no curto prazo. No entanto, ainda há formas de atenuá-las. É o que mostra o último relatório do IPCC das Nações Unidas, publicado em 09 de agosto de 2021.

O IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) é uma organização da ONU (Nações Unidas) que divulga pesquisas sobre as causas, efeitos e riscos das mudanças climáticas para a humanidade e o meio ambiente. 

Além disso, o órgão também propõe medidas para combater essas mudanças, principalmente o aquecimento global.

Mas, afinal, o que este relatório do IPCC aponta? A seguir, você confere algumas das informações mais relevantes abordadas no relatório.

1. Ações humanas estão elevando a concentração de gases do Efeito Estufa

O relatório aponta que, desde 2011, as concentrações de gases do Efeito Estufa na atmosfera vêm crescendo, tendo atingido números alarmantes em 2019. 

E foram as ações humanas que levaram a este aumento.

2. A temperatura da superfície do planeta aumentou 1,09 °C em função das mudanças climáticas

Ao comparar o período de 2011–2020 com 1850–1900, a temperatura da superfície da Terra aumentou 1,09 °C.

E isso aconteceu devido ao aumento nas emissões humanas de gases do efeito estufa.

3. A redução das geleiras e o aumento no nível dos oceanos já são realidade

De acordo com o relatório, provavelmente, a ação humana por meio da emissão de gases do efeito estufa é a responsável pelo derretimento das geleiras desde a década de 1990.

E com essa redução, algumas consequências já são observadas, como o aumento no nível dos oceanos, que subiu 0,2 m. entre 1901 e 2018.

4. O aumento da temperatura global está afetando os polos

Com o aumento da temperatura, as zonas climáticas, ou seja, regiões que possuem climas similares, estão se estendendo para os polos.

Isso significa, por exemplo, que o clima nos polos Norte e Sul está ficando mais próximo ao observado no Equador. 

E isso tem trazido mudanças à biosfera da Terra. Inclusive, desde a década de 1950, a época de cultivo se estendeu, em média, até 2 dias por década nas áreas extratropicais do hemisfério Norte, de acordo com o IPCC.

5. As ondas de calor estão mais frequentes e intensas

Desde a década de 1950 as ondas de calor e de extremos quentes, ou seja, períodos mais quentes que o normal, se tornaram mais intensos e frequentes.

Por outro lado, a frequência e a severidade das ondas de frio e os extremos frios diminuíram. 

E, a provável causa dessa situação são as mudanças climáticas causadas pelo homem.

6. A mudanças climáticas estão afetando o regime de chuvas

Ademais, as alterações no clima vêm provocando mudanças no balanço de energia da atmosfera, devido ao aumento do calor. 

E isso tem tornado eventos extremos de chuva mais frequentes e mais intensos desde a década de 1950.

7. A temperatura vai continuar subindo… independente dos esforços contrários 

Mesmo se conseguirmos atingir o melhor cenário de emissões de CO2, o dano já causado à atmosfera deve continuar a elevar a temperatura global, pelo menos, até metade do século.

E você sabe qual o impacto desse aumento na temperatura? 

De acordo com o relatório, um pequeno incremento de 0,5 °C já é o suficiente para alterar a intensidade e a frequência de:

  • Eventos extremos de calor e ondas de calor;
  • Eventos extremos de precipitações;
  • Secas em diversas regiões.

Não há precedentes para as mudanças climáticas atuais!

O relatório também apontou que, as mudanças climáticas observadas nunca foram registradas em centenas ou até milhares de anos atrás. 

Além disso, os danos causados pelas emissões de gases do efeito estufa no passado, bem como, no futuro, ainda levarão séculos ou até milênios para serem revertidos, principalmente aqueles provocados aos oceanos.

O gráfico do Sexto Relatório de Avaliação do IPCC mostra as alterações na temperatura global provocadas pelas mudanças climáticas
Mudança da temperatura global da superfície em relação a 1850-1900
(IPCC –Sixth Assessment Report)

A figura acima mostra como deve aumentar a temperatura de acordo com cada cenário simulado. Apesar das variações, todas as projeções são de alta.

O que podemos concluir de tudo isso

“O 6° relatório sobre mudanças climáticas do IPCC é categórico no que diz respeito à interferência humana no planeta e faz uma previsão desanimadora sobre o futuro climático da Terra. 

Isso porque, a contínua queima de combustíveis fósseis e a remoção de florestas já causaram danos significativos ao clima terrestre. O que pode ser observado pelo incremento de 1,09°C na temperatura média do planeta e no aumento da intensidade e frequência de eventos meteorológicos extremos, em especial ondas de calor e tempestades severas, responsáveis por inúmeros prejuízos materiais e humanos.

Assim, caso nenhuma medida seja tomada, estas alterações serão cada vez mais intensas e biomas inteiros poderão ser perdidos.”

– Comenta Juarez Ventura, Meteorologista e especialista em modelagem atmosférica

Como as mudanças climáticas podem impactar o agro

A agropecuária é um dos setores que mais deve sentir os efeitos das mudanças climáticas, uma vez que o campo é praticamente uma “fábrica a céu aberto”. 

Com as alterações de temperatura e regime de chuvas, é possível que o plantio em algumas regiões no Brasil e no mundo já não sejam mais viáveis como antes.

Além disso, a demanda por plantas mais adaptadas ao clima deve crescer, como também a necessidade de adoção de novas tecnologias e sistemas de produção mais eficientes.

E foi em meio a essas discussões que o Valor Econômico publicou uma matéria no dia 11 de agosto de 2021 abordando a urgência desta pauta.

O texto também apontou um estudo realizado pelo pesquisador Evandro Silva, da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ/USP) que destaca os impactos das mudanças climáticas na produção mundial de soja. 

De acordo com o pesquisador, os riscos de quebra de safra para a cultura devem aumentar no Brasil, em função do clima. Ademais, as preocupações ainda podem se estender para o milho, que é uma cultura mais sensível.

Conclusão

As mudanças climáticas são uma realidade em nosso planeta e as suas consequências já podem ser sentidas em diversas regiões.

Diante disso, o produtor rural precisa se adaptar, adotando práticas mais sustentáveis, que conciliam três eixos: ambiental, econômico e social.

Além disso, a adoção de novas tecnologias e sistemas mais resilientes de produção também devem se tornar cada vez mais necessários.

Afinal, temos um grande desafio pela frente se quisermos, ao menos, minimizar os impactos ambientais dessas mudanças e assegurar a produção mundial de alimentos.

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