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Guia prático sobre armadilhas de pragas para um bom manejo da lavoura

As Pragas são organismos que reduzem a produção das culturas, seja por atacá-las, por serem transmissores de doenças (principalmente viroses), ou por reduzirem a qualidade dos produtos agrícolas. Por isso, esse post irá explicar as principais formas de detecção e controle das pragas.

Principais fatores favoráveis à ocorrência de pragas

  • Descaso pelas medidas de controle.
  • Plantio de variedades suscetíveis ao ataque das pragas.
  • Falta de rotação de culturas nos agroecossistemas.
  • Plantio em regiões ou estações favoráveis ao ataque de pragas.
  • Adoção de plantio direto (geralmente há um aumento de insetos que atacam o sistema radicular das plantas).
  • Adubação desequilibrada (as plantas mal nutridas são mais susceptíveis ao ataque de pragas).
  • Uso inadequado de praguicidas (uso de dosagem, produto, época de aplicação e metodologia inadequados).

Sistemas de controle de pragas

Sistema convencional: Neste sistema devem ser adotadas medidas de controle (geralmente utiliza-se o método químico) quando o organismo está presente. O uso deste sistema se deve à falta de informações técnicas sobre manejo de pragas para a maioria das culturas, devido a interesses econômicos e a falta de política agrícola centrada em critérios técnicos. Entretanto o seu uso não promove o controle adequado das pragas, eleva o custo de produção, polui o ambiente e traz problemas a saúde do agricultor e do consumidor.
Manejo integrado de pragas (MIP): É um sistema de controle de pragas que procura preservar e aumentar os fatores de mortalidade natural das pragas pelo uso integrado dos métodos de controle selecionados com base em parâmetros técnicos, econômicos, ecológicos e sociológicos. Dentro deste conceito, o MIP tem como objetivo atuar diretamente no meio em que vivem as pragas, intervindo de alguma forma em seu hábitat, agindo diretamente nos três fatores da vida: água, alimento e refúgio.

Seleção dos métodos de controle de pragas

Os métodos devem ser selecionados com base em parâmetros técnicos (eficácia), econômicos, que preservam o ambiente e a saúde humana e também adaptáveis ao usuário. Os principais métodos usados no controle de pragas são:

  • Métodos culturais: Emprego de práticas agrícolas normalmente utilizadas no cultivo das plantas objetivando o controle de pragas.
  • Controle biológico: Ação de inimigos naturais na manutenção da densidade das pragas em nível inferior àquele que ocorreria na ausência desses inimigos naturais.
  • Controle químico: Aplicação de substâncias químicas que causam mortalidade no controle de pragas.
  • Controle por comportamento: Consiste no uso de processos (hormônios, feromônios, atraentes, repelentes e macho estéril) que modifiquem o comportamento da praga de tal forma a reduzir sua população e danos.
  • Resistência de plantas: Uso de plantas que devido suas características genéticas sofrem menor dano por pragas.
  • Métodos legislativos: Conjunto de leis e portarias relacionados a adoção de medidas de controle de pragas.
  • Controle mecânico: Uso de técnicas que possibilitem a eliminação direta das pragas.
  • Controle físico: Consiste no uso de métodos como fogo, drenagem, inundação, temperatura e radiação eletromagnética no controle de pragas.
  • Método genético: Consiste no controle de pragas através do uso de esterilização híbrida.

Armadilhas com feromônio

Amplamente utilizadas no exterior e mais recentemente em nosso país, as armadilhas com feromônio são importantes instrumentos de monitoramento e controle de pragas. O controle integrado com o auxílio das armadilhas determinam com exatidão os momentos certos das intervenções, reduzindo o uso de praguicidas, dos custos envolvidos e dos possíveis riscos de contaminações.

O uso do monitoramento das pragas com armadilhas de feromônio trazem enormes benefícios, como:
• Resposta eficaz e confiável do monitoramento das pragas;
• Identifica o momento exato da intervenção com controle químico;
• Permite a utilização de praguicidas menos persistentes, pois determina o momento exato da necessidade da intervenção;
• Redução dos riscos de desenvolvimento de resistências dos insetos aos praguicidas;
• Identificação e quantificação das pragas;
• Utilização racional dos praguicidas; consequentemente redução de custos e menor contaminações de pessoas, meio ambiente e alimentos;
• Não apresenta ação nociva sobre os insetos benéficos;
• Permite ainda, através do monitoramento, identificar a eficácia do tratamento químico, entre outras medidas.

Os feromônios são agentes biológicos produzidos pelos insetos, específico para cada espécie, com objetivo de comunicação entre eles, apresenta a característica importante de terem ação apenas entre insetos da mesma espécie. Os feromônios podem ter os seguintes usos e técnicas:
Detecção
Atrair as pragas até um determinado ponto de prévia escolha, determinando sua identificação e podendo, inclusive, combatê-la antes que se torne provocadora de danos. É uma técnica muito utilizada para a identificação de novas pragas, chamada de pragas quarentenárias.
Monitoramento
Neste caso, as armadilhas com feromônio serão utilizadas para identificar e quantificar as pragas, determinando o momento exato de intervir mediante o controle químico, entre outras medidas, além de permitir também medir a eficácia do processo de controle estabelecido.
Coleta Massal
Esta técnica é utilizada com o objetivo de se atrair e capturar o maior número possível de insetos, eliminando-os ou controlando o aumento da população.
O sucesso desta coleta é obtido quando as armadilhas são instaladas antes do período de acasalamento, também quando um número suficiente de armadilhas cobre toda a área da plantação e quando as armadilhas são suficientemente grandes e consigam comportar um grande número de insetos.
• Confusão
Os insetos acasalam-se apenas uma vez e, a ação do feromônio é fundamental neste momento. Assim, ao saturar-se uma área com armadilhas de feromônio provoca-se uma confusão sensorial no inseto macho que por sua vez não consegue encontrar a fêmea, não havendo o acasalamento, eliminando a possibilidade de reprodução de novos insetos.

As armadilhas podem ser de diferentes cores, formas e materiais, sempre adequadas aos tipos de locomoção, tamanho, forma e comportamento do inseto. Dessa forma a captura do inseto é otimizada e o manejo da praga garantido.

Armadilha com feromônio para pragas. Fonte: Bytech.
Armadilha com feromônio para pragas. Fonte: Bytech.

Armadilhas Luminosas

Armadilhas luminosas são consideradas dispositivos para atração e captura de insetos nas formas aladas e que apresentam fototropismo positivo (que possuem atividade noturna e são atraídos pela luz entre as 19:00 e 05:00 horas).
A armadilha serve como referencial para se iniciar o controle do inseto e pode contribuir para a redução de populações de pragas até próximo ao nível de dano econômico, refletindo numa menor utilização de inseticidas. Destaca-se na coleta os insetos das ordens Coleoptera (besouros), Lepidoptera (mariposas), Heteroptera (percevejos, cigarrinhas e cigarras), Orthoptera (gafanhotos e grilos) e Diptera (moscas e mosquitos). O funcionamento desta armadilha fundamenta-se nas características da radiação luminosa do espectro eletromagnético. A radiação ultravioleta é considerada a mais importante em relação à atratividade dos insetos.

O método baseia-se na interrupção do ciclo de vida do inseto no estágio adulto através de seu aprisionamento e morte na armadilha. Assim, cada fêmea atraída e morta antes da postura representa a eliminação de centenas de ovos que eclodiriam gerando pequenas larvas, caso ocorresse a oviposição.

Posição ou local de instalação das armadilhas:
• No interior, para a captura dos adultos existentes na área;
• No perímetro, para impedir a penetração de adultos migrantes para o interior do campo.
• Densidade de armadilhas por hectare: 1 para 6 a 10 hectares.
• Devem ser instaladas nos pontos mais altos da área.
• Deve-se evitar a instalação próxima a obstáculos que impeçam a visibilidade da luz.

Vantagens da armadilha luminosa:
• Identificação das pragas antes da ocorrência do dano na lavoura;
• Diminuição considerável das infestações;
• Diminuição ou eliminação das aplicações de agrotóxicos;
• Minimização de impactos negativos (poluição e contaminação ambiental).

Armadilha luminosa de pragas.
Armadilha luminosa de pragas.

Armadilhas adesivas

São ferramentas para detecção e monitoramento de insetos-praga em diversos sistemas de produção agrícola, granjas ou áreas urbanas. Essa alternativa de armadilha facilita o monitoramento populacional da praga ao longo da safra, permitindo a detecção dos focos de infestação e a necessidade de controle ou para verificar se as medidas adotadas foram efetivas contra a praga.

Essas armadilhas são cartões adesivos compostos por resina e cera, que prende o inseto assim que há o contato entre ambos. Os lados são quadriculados contendo quadrados de 2 x 2 cm, para facilitar a contagem dos insetos. As armadilhas estão disponíveis nas cores amarela e azul.

Os cartões adesivos amarelos são indicadas para detecção e monitoramento de cigarrinhas; mosca-brancas; mosca-negra-dos-citros; mosca-minadora; psilídeo (greening); pulgões; mariposas; pequenos coleópteros (besouros) entre outras pragas. Os cartões azuis são recomendadas para detecção e monitoramento de tripes. Os insetos são atraídos pela cor (amarela ou azul) e quando entram em contato com a superfície da armadilha ficam presos devido a ação do adesivo.

As armadilhas devem ser colocadas entre as fileiras de plantio e na bordadura da lavoura. Não existe um número determinado de cartões a serem instalados por área, porém, quanto maior o número de cartões, maior será a probabilidade de captura do inseto. Recomenda-se para o monitoramento de insetos-praga a utilização de 100 a 200 armadilhas/ha.

Armadilhas adesivas para pragas. Fontes: Fundecitrus e ISCA.
Armadilhas adesivas para pragas. Fontes: Fundecitrus e ISCA.

Principais pragas da parte aérea de algumas culturas:

Soja: Broca-das-axilas (Epinotia aporema), lagarta-das-folhas (Anticarsia gemmatalis), percevejos, vaquinhas, tripes e mosca branca (Bemisia tabaci).

Café: Broca-do-café (Hypothenemus hampei), Bicho-mineiro (Perileucoptera coffeella), Ácaro vermelho (Oligonychus ilicis) e cigarrinhas.

Feijão: Mosca branca (Bemisia tabaci), vaquinhas, ácaro branco (Polyphagotarsonemus latus), cigarrinha verde (Empoasca kraemeri), tripes e lesmas.

Milho: Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), Cigarrinha-das-pastagens (Deois flavopicta), Cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis), Formiga-cortadeira (Acromyrmex spp.), Gafanhoto (Rhammatocerus schistocercoides), Pulgão-do-milho (Rhopalosiphum maidis).

Arroz: gorgulho-aquático (Oryzophagus oryzae), percevejo-do-colmo (Tibraca limbativentris) e a lagarta-da-panícula (Pseudaletia spp.).

Fontes: EMBRAPA, Promip, Agrolink.
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