Afinal, o que é Agricultura Regenerativa?

A agricultura regenerativa é um tipo de agricultura que busca ir além do sustentável, propondo práticas que objetivam, por exemplo, a saúde do solo, a conservação de recursos hídricos e o sequestro de carbono.

Uma agricultura que produza alimentos saudáveis, de qualidade e seja sustentável, sobretudo economicamente, é o desejo de quem vive no campo e de quem está fora dele.

Mas, é possível também ir além disso ao realizar práticas que promovam: a saúde do solo; o bem-estar dos animais; e a justiça social para os agricultores e trabalhadores rurais.

Essas práticas fazem parte da agricultura regenerativa, que, apesar de antiga (foi criada há 40 anos), chama cada vez mais a atenção da sociedade. 

Conheça, a seguir, esse tipo de agricultura e saiba alguns exemplos de como ela vem sendo desenvolvida no Brasil e no mundo.

O que é agricultura regenerativa?

É um tipo de agricultura que vai além do sustentável e se relaciona diretamente com os princípios da sigla ESGEnvironmental (ambiental), Social (responsabilidade social) e Governance (Governança).

Ela foi criada em 1980 por Robert Rodale, que a chamou de “orgânico regenerativo” por se tratar de abordagem holística da agricultura. Ou seja, capaz de atender aos anseios de uma sociedade que cobra por uma produção de alimentos com menor impacto social/econômico/ambiental, o bem o bem-estar animal e a responsabilidade social.

Rodale considerava a agricultura convencional como insustentável no longo prazo por conta do uso intenso de defensivos e fertilizantes químicos.

Conforme Rodale, a saúde do solo é uma prioridade na agricultura regenerativa, pois ela influencia diretamente na saúde total do sistema alimentar e no futuro do planeta.

Por isso, o manejo na agricultura regenerativa não utiliza adubação química nem defensivos químicos, a fim de evitar possíveis desequilíbrios no meio ambiente.

Além disso, em uma mesma área de produção são cultivadas culturas anuais e perenes para favorecer a diversidade de espécies.

Isso porque, a ideia da agricultura regenerativa é criar um sistema agrícola que funcione em harmonia com a natureza para dar qualidade de vida a todos os seres.

A diferença entre agricultura regenerativa e sustentabilidade
A sustentabilidade é uma ponte e a regeneração é o destino. 
(Fonte: Savory Institute)

Objetivos da agricultura regenerativa

De acordo com a pesquisa ‘Agroforestry Standards for Regenerative Agriculture‘, é possível reunir os objetivos da agricultura regenerativa em 5 tópicos:

  1. Solo: Contribuir para a construção da fertilidade e saúde do solo.
  2. Água: Elevar a percolação (ou seja, o movimento subterrâneo) de água no solo; aumentar a retenção de água; e, caso haja escoamento superficial (runoff), que seja de forma segura e com água limpa.
  3. Biodiversidade: Conservar e até aumentar a biodiversidade.
  4. Saúde do ecossistema: Colaborar para a capacidade de resiliência e auto-renovação do ecossistema.
  5. Carbono: sequestro de carbono.

Mas, o que diferencia a agricultura regenerativa de outros tipos alternativos de agricultura e que também atuam com princípios de produção sustentável? Entenda a seguir.

Conheça os tipos de agricultura alternativa

Basicamente, a agricultura alternativa se refere aos tipos de agricultura que propõe um novo modelo de produção frente à agricultura convencional.

Os sistemas alternativos são, em geral, diversificados e enfatizam:

  • o manejo do solo;
  • as relações biológicas, por exemplo, aquelas entre pragas e seus predadores naturais;
  • a fixação biológica do nitrogênio no solo;
  • e o sequestro de carbono.

No caso da agricultura regenerativa, ela engloba algumas práticas da agricultura alternativa, mas se diferencia, principalmente, porque tem como principal objetivo regenerar o solo e, com isso, colaborar para a mitigação das mudanças climáticas.  

Veja abaixo os tipos de agricultura alternativa.

Agricultura orgânica

É uma agricultura baseada na manutenção de níveis elevados de matéria orgânica no solo, e que não usa fertilizantes ou adubos químicos, nem defensivos químicos.

Com um bom nível de matéria orgânica no solo, ele se mantém fértil por muitos anos o que colabora para a manutenção de uma boa produção de alimentos.

Dentre os tipos de agricultura alternativa, a orgânica é a que mais avançou no mundo, onde a demanda por alimentos desse tipo só cresce.

No Brasil, por exemplo, o setor movimentou R$ 6,3 bilhões em 2021, sendo que em 2020 o valor comercializado chegou a R$ 5,8 bilhões.

Agrofloresta

Esse tipo de agricultura parte de uma visão de conjunto da propriedade rural como uma unidade funcional de um sistema maior, que é a natureza.

Dentre os princípios, estão:

  • a integração entre agricultura e floresta;
  • a não dependência de insumos externos;
  • a conservação dos recursos naturais;
  • e a reciclagem de energia e nutrientes.

Outras

Há também a agricultura biológica que possui forte cunho socioeconômico e político, e preocupa-se com questões relacionadas à autonomia do agricultor e a comercialização direta.

Mas, o seu objetivo principal é manter o equilíbrio ambiental, por meio do processo e ciclos naturais, sobretudo no combate a pragas e doenças e na fertilidade do solo.

Além disso, há também a agricultura biodinâmica, que foca nas questões filosóficas e espirituais envolvidas na produção agrícola.

Mas, então, por que atualmente tem se falado tanto em agricultura regenerativa?

Regenerar e preservar

Uma das principais potências mundiais na produção de alimentos, o Brasil, tem sido pressionado pela comunidade internacional por conta do desmatamento ilegal da floresta amazônica, que atingiu níveis recordes em 2021.

Diante deste contexto, a ideia de somente preservar o que ainda temos de floresta em pé é algo que tende a ficar cada vez mais ultrapassado frente às exigências do mercado.

Assim, mais do que preservar, é preciso que haja investimentos públicos e privados que favoreçam a preservação e a regeneração das áreas degradadas, sejam estas áreas destinadas ou não à atividades agrícolas. 

E um grande desafio para que a agricultura regenerativa avance no país são os investimentos.

Mas, quem financia a agricultura regenerativa?

No setor público, a agricultura de baixas emissões de carbono de recebe atenção especial do Governo Federal por meio do Plano ABC (agricultura de baixo carbono), no qual o Brasil é referência no mundo.

Além disso, ao final de 2021, o governo federal lançou o ABC+, versão atualizada do Plano ABC (que deve ser executada até 2030) e que visa fortalecer a política de redução de emissões de carbono na agricultura brasileira.

No país não há dados do governo sobre quanto já foi financiado para esse tipo de agricultura, mas, no setor privado ela já movimenta mais de US$ 47,5 bilhões, apenas nos Estados Unidos.

Além disso, no Brasil, investimentos em agricultura regenerativa estão sendo feitos por empresas privadas, sendo a reNature uma das principais – e que conta com cerca de 10 anos de atuação no mercado.

A entidade financia projetos de agricultura regenerativa em áreas de produção de café arábica em Minas Gerais, de produção agroflorestal nos estados do Amazonas, Pará e Pernambuco, dentre outros.

Para a reNature, “a agricultura regenerativa tem enorme potencial para reduzir o estresse [causado pelo desequilíbrio ambiental] e fornecer uma alternativa viável para os agricultores e comunidades”.

Conclusão

A agricultura regenerativa é uma grande tendência para a produção de alimentos.

Isso porque, colabora não só para preservar o meio ambiente, como também para regenerar áreas degradadas, o que, com o tempo, pode favorecer a fixação de nitrogênio no solo e o sequestro de carbono.

Diante disso, entender como funciona esse tipo de sistema de produção e que oportunidades de mercado o torna tão atual é algo fundamental.

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