Risco Climático no Agro: 2 Tipos e R$ 28 Bi em Prejuízos

Publicado por Agrosmart | Abril 2026

O risco climático no agro deixou de ser pano de fundo e virou variável financeira. O agronegócio brasileiro deve movimentar R$ 1,37 trilhão em Valor Bruto da Produção em 2026, segundo a CNA. Ao mesmo tempo, desastres climáticos causaram prejuízos de R$ 28,3 bilhões ao Brasil apenas em 2025, de acordo com relatório da Aon. Esses dois números, lado a lado, contam uma história que o setor inteiro precisa entender.

Infográfico comparando VBP do agronegócio brasileiro 2026 (R$ 1,39 trilhão) e prejuízos climáticos 2025 (R$ 28,3 bilhões)

Neste artigo, explicamos o que é risco climático aplicado ao agronegócio, quais são os dois grandes tipos de risco que afetam empresas do setor, e por que monitorar esses riscos é uma questão de sobrevivência operacional e competitividade.

O que é risco climático no agronegócio?

Risco climático é a probabilidade de que eventos ou mudanças relacionadas ao clima causem perdas financeiras, operacionais ou reputacionais para uma empresa ou cadeia produtiva.

No agro, isso vai muito além de “vai chover ou não”. Envolve secas prolongadas que derrubam safras, geadas que destroem lavouras inteiras em uma noite, regulações internacionais que barram exportações, e pressão de investidores por práticas sustentáveis.

Organizações como a UNEP FI (braço financeiro do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) classificam o setor agrícola como um dos mais expostos ao risco climático. De acordo com a FAO, a agricultura responde por 11% das emissões globais de gases de efeito estufa e quando somada com mudanças no uso da terra chega a 23% (IPCC, 2019) e, ao mesmo tempo, é uma das atividades mais vulneráveis às mudanças do clima.

Os dois tipos de risco climático que toda empresa do agro precisa conhecer

Risco Físico: quando o clima atinge diretamente a operação

Risco físico é o impacto direto de eventos climáticos sobre a produção, a infraestrutura e a logística. Ele se divide em dois subtipos:

Risco físico agudo: eventos extremos e pontuais. Enchentes, geadas, granizo, ondas de calor. Em 2025, segundo o CEMADEN, eventos climáticos extremos atingiram mais de 336 mil pessoas no Brasil, e o Governo Federal aprovou R$ 7,2 bilhões em linhas emergenciais via BNDES para produtores rurais que tiveram perdas significativas de safra.

Risco físico crônico: mudanças graduais e persistentes. Aumento médio de temperatura, alteração nos regimes de chuva, elevação do nível do mar. Segundo estudo publicado na PNAS (Zhao et al., 2017) e referenciado pelo IPCC, cada 1°C adicional de aquecimento global reduz a produtividade global de trigo em 6% e de milho em 7,4%, em média, sem considerar adaptação ou fertilização por CO2.

Um exemplo recente do impacto do *risco climático no agro*: o El Niño forte de 2023-2024 trouxe seca prolongada e calor extremo nas principais regiões produtoras do Centro-Oeste e Sudeste. As temperaturas acima do normal e as baixas precipitações causaram atraso de plantio e perdas de produtividade, levando a uma redução de 5,2% na safra brasileira de soja 2023/24, que fechou em 146,52 milhões de toneladas (Conab, 2024). A safra total de grãos caiu 8% no mesmo período.

Risco de Transição: quando as regras do jogo mudam

Risco de transição é o impacto financeiro que vem das mudanças regulatórias, tecnológicas e de mercado provocadas pela transição para uma economia de baixo carbono. Ele é menos visível que uma seca, mas pode ser igualmente devastador para quem não se prepara.

Regulações ambientais: o exemplo mais concreto para o agro brasileiro é a EUDR (European Union Deforestation Regulation). Essa regulação europeia proíbe a importação de commodities produzidas em áreas desmatadas após dezembro de 2020, sejam elas legais ou ilegais pelo padrão brasileiro. As commodities afetadas incluem soja, café, cacau, carne, madeira, óleo de palma e borracha.

O impacto potencial é enorme: estimativas do MDIC apontam que a EUDR pode afetar até 15% das exportações totais brasileiras e até 34% das vendas destinadas à União Europeia (MDIC/Governo Federal, 2024). Estudo da consultoria BIP calcula ainda que o custo adicional de conformidade com rastreabilidade integral e due diligence ambiental pode chegar a US$ 17,5 bilhões por ano para o agro brasileiro (BIP, via CNN Brasil, 2024)

Pressão de investidores e mercado financeiro: fundos de investimento e bancos estão incorporando critérios climáticos e de ESG nas suas decisões. Empresas que não demonstram gestão de risco climático no agro perdem acesso a capital mais barato e a mercados premium.

Mudanças tecnológicas e de consumo: a crescente adoção de proteínas alternativas e a precificação de carbono são exemplos de como a transição energética e alimentar cria novos riscos para modelos tradicionais.

Diagrama dos dois tipos de risco climático no agronegócio: risco físico e risco de transição.

Por que monitorar risco climático é urgente para empresas do agro?

1. Proteção financeira direta

 Os R$ 28,3 bilhões em prejuízos causados por desastres climáticos no Brasil em 2025 (Aon, 2026) não são projeção futura, são perdas já contabilizadas. Empresas que monitoram risco climático em tempo real conseguem antecipar impactos na oferta, ajustar contratos e proteger margens.

2. Acesso a mercados internacionais

Com a EUDR entrando em vigor, exportadores que não conseguem comprovar a origem e a conformidade ambiental dos seus produtos simplesmente perdem o acesso ao mercado europeu. Compliance ambiental deixou de ser diferencial e virou pré-requisito.

3. Decisões de crédito e seguro

Bancos e seguradoras já usam dados climáticos para precificar risco. Quem apresenta uma gestão ativa de risco climático no agro, negocia melhores taxas e condições. Quem não apresenta, paga mais caro ou não consegue acesso.

4. Vantagem competitiva na cadeia de suprimentos

Tradings, indústrias de alimentos e varejistas globais estão exigindo visibilidade climática dos seus fornecedores. Ter dados de risco climático organizados e atualizados é cada vez mais um critério para entrar e permanecer em cadeias de fornecimento premium.

Como empresas estão abordando o risco climático na prática?

A gestão de risco climático no agro combina três camadas:

Monitoramento contínuo: acompanhamento de indicadores climáticos como o SPEI (Índice Padronizado de Precipitação-Evapotranspiração) e o PDSI (Índice de Severidade de Seca de Palmer), que permitem identificar tendências de seca ou excesso hídrico antes que se tornem crises.

Inteligência preditiva: modelos que cruzam dados climáticos com dados de produção, logística e mercado para gerar cenários e alertas antecipados. Isso permite que gestores ajustem operações com dias ou semanas de antecedência.

Compliance e rastreabilidade: sistemas que documentam a origem e a conformidade ambiental de cada lote, preparando a empresa para atender regulações como a EUDR e para responder às exigências de clientes internacionais.

O primeiro passo é entender os dois tipos de risco: físico (o que o clima faz com sua operação) e de transição (o que o mercado e as regulações fazem com quem não se adapta). O segundo passo é monitorar, com dados, em tempo real.

Perguntas Frequentes sobre Risco Climático no Agro (FAQ)

O que é risco climático no agro?

Risco climático no agro é a probabilidade de eventos ou mudanças relacionadas ao clima causarem perdas financeiras, operacionais ou reputacionais em empresas e cadeias do agronegócio. Envolve desde secas e geadas até regulações internacionais como a EUDR.

Quais são os dois tipos de risco climático?

Existem dois tipos: risco físico (impacto direto do clima sobre produção e logística, agudo como enchentes e crônico como aumento de temperatura) e risco de transição (impacto regulatório, tecnológico e de mercado da transição para uma economia de baixo carbono, incluindo EUDR e pressão ESG).

Quanto o agro brasileiro perdeu com desastres climáticos em 2025?

Segundo relatório da Aon, desastres climáticos causaram R$ 28,3 bilhões em prejuízos ao Brasil em 2025, sendo 88% causados por secas, principalmente no Centro-Oeste e Sudeste.

Como a EUDR afeta o agro brasileiro?

Estimativas do MDIC apontam que a EUDR pode impactar até 15% das exportações totais brasileiras e 34% das vendas à União Europeia, com custos adicionais de conformidade de até US$ 17,5 bilhões por ano (estudo BIP).

Como empresas podem gerenciar risco climático no agro?

Combinando três camadas: monitoramento contínuo com índices como SPEI e PDSI, inteligência preditiva cruzando dados climáticos com produção e mercado, e compliance e rastreabilidade para atender regulações como a EUDR.

Quer aplicar análise de risco climático na sua operação?

Fale com nosso time. Atendemos bancos, seguradoras, tradings, cooperativas e agroindustrias com dados de clima, riscos de perda e modelagem de risco.

Fontes:

    • Aon, Weather, Climate and Catastrophe Insight Report, 2025
    • Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), VBP 2026
    • UNEP FI, Climate Risks in the Agriculture Sector, 2023
    • FAO/WMO, Extreme Heat Risks for Agriculture Report, 2024
    • Governo Federal/BNDES, Linhas de crédito emergenciais para produtores rurais, fev/2026
    • CNN Brasil/BIP Consultoria, Custos da EUDR para o agro brasileiro, 2025
    • Germanwatch, Global Climate Risk Index, 2026
Mostrar mais

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Botão Voltar ao topo
plugins premium WordPress