{"id":2941,"date":"2016-11-24T22:02:13","date_gmt":"2016-11-25T00:02:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.agrosmart.com.br\/?p=1370"},"modified":"2020-12-15T20:11:17","modified_gmt":"2020-12-15T23:11:17","slug":"verdades-e-mitos-sobre-a-agua-na-agricultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agrosmart.com.br\/blog\/verdades-e-mitos-sobre-a-agua-na-agricultura\/","title":{"rendered":"Verdades e mitos sobre a \u00e1gua na agricultura"},"content":{"rendered":"\n<div style=\"text-align: justify;\">A crise h\u00eddrica brasileira levantou quest\u00f5es sobre gest\u00e3o da \u00e1gua em todos os setores. A agricultura foi apontada como um dos piv\u00f4s do problema por utilizar cerca de 70% da \u00e1gua consumida. O engenheiro-agr\u00f4nomo Lu\u00eds Henrique Bassoi diz que a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples. Segundo ele, o setor agr\u00edcola, al\u00e9m de n\u00e3o ficar com essa fatia toda, tem a capacidade de promover a gera\u00e7\u00e3o de maior volume de \u00e1gua.<\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agrosmart.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/bosoi-1-300x229.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9489\" width=\"319\" height=\"244\"\/><figcaption>Luiz de Queiroz &#8211; (Esalq-USP)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">Formado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de S\u00e3o Paulo (Esalq-USP), Bassoi possui mestrado em Irriga\u00e7\u00e3o e Drenagem pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Botucatu; doutorado em Energia Nuclear na Agricultura (USP) e p\u00f3s-doutorado em Irriga\u00e7\u00e3o e Drenagem pela University of California, Davis, Estados Unidos.<\/div>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">Atualmente \u00e9 pesquisador da Embrapa Semi\u00e1rido, em Petrolina (PE), e docente dos programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Agronomia da Faculdade de Ci\u00eancias Agron\u00f4micas (FCA) da Unesp Botucatu e em Engenharia Agr\u00edcola, da Universidade Federal do Vale do S\u00e3o Francisco (Univasf), campus de Juazeiro (BA).<\/div>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">Bassoi coordena o portf\u00f3lio Agricultura Irrigada da Embrapa, inst\u00e2ncia que re\u00fane todos os projetos de pesquisa, desenvolvimento e transfer\u00eancia de tecnologia da Empresa ligados ao tema e delineia estrat\u00e9gias voltadas a contornar os desafios relacionados \u00e0 agricultura irrigada.<\/div>\n\n\n\n<div>&nbsp;<\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>A agricultura tem sido apontada como vil\u00e3 da crise h\u00eddrica por utilizar 70% da \u00e1gua dispon\u00edvel. Esse percentual corresponde \u00e0 realidade?<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Bassoi &#8211; <\/strong>Trata-se de uma m\u00e9dia estimada em dados mundiais e corresponde a diferentes situa\u00e7\u00f5es de uso da \u00e1gua na agricultura. Ela n\u00e3o vai, necessariamente, corresponder \u00e0 m\u00e9dia nacional e h\u00e1 varia\u00e7\u00f5es entre uma regi\u00e3o e outra. No entanto, ainda precisamos de estudos espec\u00edficos para ter um n\u00famero para o Brasil. Os 70% s\u00e3o uma m\u00e9dia com a qual trabalhamos hoje.<\/div>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Por que o setor consome tanta \u00e1gua?<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Bassoi &#8211; <\/strong>O termo &#8220;consumir&#8221; n\u00e3o \u00e9 muito adequado nesse contexto, em minha opini\u00e3o, pois d\u00e1 uma conota\u00e7\u00e3o de que a agricultura e a pecu\u00e1ria retiram \u00e1gua das fontes deixando-a indispon\u00edvel, o que n\u00e3o \u00e9 de todo verdade. O que ocorre \u00e9 que apenas uma pequena parte dessa \u00e1gua torna-se &#8220;indispon\u00edvel&#8221; para o retorno \u00e0 natureza. \u00c9 aquela que vai ser utilizada pela planta ou animal para a &#8220;fabrica\u00e7\u00e3o&#8221; dos produtos agr\u00edcolas, como o gr\u00e3o de arroz, milho e feij\u00e3o, o leite, a carne, por exemplo. A maior por\u00e7\u00e3o da \u00e1gua usada no campo permanece no ciclo hidrol\u00f3gico, como aprendemos na escola. Parte da \u00e1gua penetra no solo recarregando o len\u00e7ol fre\u00e1tico, outra parte da \u00e1gua \u00e9 devolvida para a atmosfera pela evapora\u00e7\u00e3o da \u00e1gua na superf\u00edcie do solo e pela transpira\u00e7\u00e3o das plantas, e ainda outra parte da \u00e1gua escoa para as fontes de \u00e1gua. Perceba que isso \u00e9 muito diferente de se retirar a \u00e1gua do mesmo rio para uma produ\u00e7\u00e3o industrial ou uso urbano, quando alguns efluentes ter\u00e3o de ser tratados para voltar ao meio ambiente. Por isso, prefiro dizer que o setor agropecu\u00e1rio consome energia el\u00e9trica e fertilizantes, mas utiliza a \u00e1gua para produzir.<\/div>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n\n\n\n<blockquote><h3>&#8220;A maior por\u00e7\u00e3o da \u00e1gua usada no campo permanece no ciclo hidrol\u00f3gico&#8221;<\/h3><\/blockquote>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Qual \u00e9 a import\u00e2ncia da irriga\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Bassoi &#8211;<\/strong> Primeiro, \u00e9 preciso dizer que em determinadas regi\u00f5es \u00e9 imposs\u00edvel produzir sem irriga\u00e7\u00e3o, como no Semi\u00e1rido. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel haver no Semi\u00e1rido uma agricultura comercial geradora de emprego, renda e desenvolvimento sem irriga\u00e7\u00e3o. No geral, a produ\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea irrigada pode ser at\u00e9 tr\u00eas vezes maior que a n\u00e3o irrigada, dependendo da cultura e do local de cultivo.<\/div>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">Portanto, a irriga\u00e7\u00e3o est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 quantidade de alimentos, fibras e bioenergia que queremos produzir. \u00c9 preciso adotar medidas conservacionistas que aumentem a disponibilidade de \u00e1gua e ajudar a agricultura a usar bem a \u00e1gua, em vez de fechar as torneiras do campo, como tem se apregoado ultimamente.<\/div>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n\n\n\n<blockquote><h3>&#8221; [&#8230;] a irriga\u00e7\u00e3o est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 quantidade de alimentos, fibras e bioenergia que queremos produzir&#8221;<\/h3><\/blockquote>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Quais as consequ\u00eancias de se fechar as torneiras do campo?<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Bassoi &#8211; <\/strong>Todo produtor utiliza \u00e1gua, seja pequeno, m\u00e9dio ou grande. E o agroneg\u00f3cio abrange todos os grupos. Pequenos produtores que comercializam sua produ\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m fazem parte do agroneg\u00f3cio e ser\u00e3o os primeiros a sofrer se n\u00e3o puderem usar a \u00e1gua. Diante disso, podemos perceber que sem \u00e1gua n\u00e3o haver\u00e1 produ\u00e7\u00e3o, renda nem emprego para quem trabalha no campo e n\u00e3o haver\u00e1 agroenergia, fibras e, especialmente, comida para quem mora nas cidades. Pense na produ\u00e7\u00e3o de hortali\u00e7as, por exemplo, que s\u00e3o culturas que dependem de irriga\u00e7\u00e3o di\u00e1ria. Sem \u00e1gua, esses produtos ser\u00e3o os primeiros a desaparecer e a encarecer.<\/div>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">O impacto na economia nacional seria igualmente terr\u00edvel por causa do peso que o agroneg\u00f3cio tem no produto interno bruto (PIB) brasileiro. Ressalto, novamente, que n\u00e3o estamos falando somente de grandes produtores: pequenos propriet\u00e1rios rurais, respons\u00e1veis majoritariamente por culturas importantes, como algumas hortali\u00e7as, frutas e o nosso precioso feij\u00e3o, tamb\u00e9m sofrer\u00e3o se cortarem a \u00e1gua do campo.<\/div>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Qual \u00e9 a responsabilidade do setor agr\u00edcola no surgimento da crise h\u00eddrica?<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Bassoi <\/strong>&#8211; A crise h\u00eddrica \u00e9 o resultado de dois fatores. O primeiro \u00e9 a ocorr\u00eancia de chuva abaixo dos valores esperados nos \u00faltimos anos. Desde 2010, de acordo com dados de institutos ligados \u00e0 meteorologia, s\u00e3o registrados no Pa\u00eds \u00edndices pluviom\u00e9tricos abaixo da m\u00e9dia hist\u00f3rica em v\u00e1rias partes do Brasil. Houve ainda um agravamento entre o fim de 2014 e in\u00edcio de 2015, quando ocorreu um bloqueio atmosf\u00e9rico, como relatado no Observat\u00f3rio da Safra 2014-2015. O outro fator \u00e9 a falta de preven\u00e7\u00e3o. Simplesmente n\u00e3o houve um planejamento para enfrentar esse problema mesmo com os \u00edndices de chuva em decl\u00ednio.<\/div>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Como ser\u00e1 poss\u00edvel resolver essa quest\u00e3o?<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Bassoi &#8211;<\/strong> Para come\u00e7ar, precisamos da conscientiza\u00e7\u00e3o de toda a sociedade de que \u00e9 preciso usar melhor a \u00e1gua. \u00c9 importante, por exemplo, usar o racionamento de maneira preventiva em vez de recorrer a ele como o \u00faltimo recurso. Devemos racionar enquanto temos, depois que a \u00e1gua acabar n\u00e3o haver\u00e1 o que racionar. Essas medidas, quando tomadas preventivamente, s\u00e3o menos onerosas e menos traum\u00e1ticas.<\/div>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>O Brasil irriga muito?<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Bassoi &#8211;<\/strong> O Brasil irriga pouco. Isso acontece porque em algumas regi\u00f5es ainda \u00e9 necess\u00e1ria infraestrutura de distribui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e de energia el\u00e9trica. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m faltam capacita\u00e7\u00e3o e transfer\u00eancia de tecnologia para se fazer irriga\u00e7\u00e3o. Hoje, o Pa\u00eds tem quase seis milh\u00f5es de hectares irrigados, mas temos potencial para chegar perto de 30 milh\u00f5es de hectares, ou seja, a \u00e1rea poderia ser cinco vezes maior. Uma expans\u00e3o como essa tamb\u00e9m resultaria na expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e da produtividade agropecu\u00e1ria e no consequente aumento da oferta de fibras, bioenergia e alimentos, seja para consumo humano e animal, seja para processamento e industrializa\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso lembrar que o Brasil tem um papel importante de fornecedor de alimentos n\u00e3o somente para o mercado dom\u00e9stico, mas tamb\u00e9m para o mundo todo.<\/div>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">O Pa\u00eds \u00e9 um dos principais atores no fornecimento de alimentos e de mat\u00e9rias-primas da agropecu\u00e1ria para o mundo. A irriga\u00e7\u00e3o ajudar\u00e1 a aumentar essa oferta. Est\u00e1 na hora de fazermos a pergunta: qual ser\u00e1 o custo de n\u00e3o irrigar? O maior \u00f4nus ser\u00e1 abrir m\u00e3o da voca\u00e7\u00e3o agr\u00edcola do Pa\u00eds. Temos terras e energia solar em abund\u00e2ncia e disponibilidade de \u00e1gua, mas \u00e9 preciso racionalizar o uso dos recursos naturais e investir em efici\u00eancia. Sem \u00e1gua, n\u00e3o h\u00e1 agricultura. A Pol\u00edtica Nacional de Irriga\u00e7\u00e3o (Lei 12.787\/13) deve auxiliar o aumento planejado da \u00e1rea irrigada, o aumento da produtividade agr\u00edcola, e incentivar a forma\u00e7\u00e3o e capacita\u00e7\u00e3o de recursos humanos para a pr\u00e1tica da irriga\u00e7\u00e3o de modo racional, eficiente. Toda a sociedade pode ganhar com isso.<\/div>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n\n\n\n<blockquote><h3>&#8220;Hoje, o Pa\u00eds tem quase seis milh\u00f5es de hectares irrigados, mas temos potencial para chegar perto de 30 milh\u00f5es de hectares, ou seja, a \u00e1rea poderia ser cinco vezes maior.&#8221;<\/h3><\/blockquote>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Mesmo com um regime de chuvas reduzido seria poss\u00edvel ter \u00e1gua para irrigar?<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Bassoi &#8211; <\/strong>Mesmo com a redu\u00e7\u00e3o da oferta de \u00e1gua \u00e9 poss\u00edvel obter uma boa produtividade. As perdas em tempos de escassez h\u00eddrica s\u00e3o inevit\u00e1veis. Para grande parte do Pa\u00eds, h\u00e1 previs\u00e3o de poucas chuvas no primeiro semestre deste ano, por isso \u00e9 poss\u00edvel que haja quebra de safra. No entanto, com planejamento e ado\u00e7\u00e3o de tecnologias que promovam o uso eficiente da \u00e1gua, \u00e9 poss\u00edvel reduzir as perdas. Por exemplo, a aplica\u00e7\u00e3o criteriosa de \u00e1gua levando-se em considera\u00e7\u00e3o fatores como o tipo de cultura, quantidade de \u00e1gua presente no solo, evapotranspira\u00e7\u00e3o da cultura, entre outros.<\/div>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">A agricultura de precis\u00e3o, que vem ganhando mais adeptos no Brasil, tamb\u00e9m pode auxiliar o manejo de irriga\u00e7\u00e3o, que nada mais \u00e9 do que a utiliza\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios para definir a quantidade e o momento de irrigar. A agricultura de precis\u00e3o leva em considera\u00e7\u00e3o as varia\u00e7\u00f5es do solo e da planta na \u00e1rea agr\u00edcola. Assim, em algumas partes dessa \u00e1rea pode-se aplicar uma menor ou maior quantidade de \u00e1gua, em vez de aplicar a mesma quantidade na \u00e1rea toda. Isso auxilia a economizar \u00e1gua e aumenta a efici\u00eancia de uso da \u00e1gua.<\/div>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n\n\n\n<blockquote><h3>&#8220;[&#8230;] com planejamento e ado\u00e7\u00e3o de tecnologias que promovam o uso eficiente da \u00e1gua, \u00e9 poss\u00edvel reduzir as perdas&#8221;<\/h3><\/blockquote>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>O produtor est\u00e1 capacitado para irrigar?<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Bassoi &#8211;<\/strong> Encontramos muitos produtores capacitados. Ainda assim, temos consci\u00eancia de que esse n\u00famero precisa aumentar. H\u00e1 uma grande demanda por capacita\u00e7\u00e3o em irriga\u00e7\u00e3o no Brasil. A irriga\u00e7\u00e3o localizada (gotejamento e microaspers\u00e3o), por exemplo, tem aumentado principalmente nas popularmente chamadas fruteiras, mas ainda h\u00e1 muito que expandir. O gotejamento subterr\u00e2neo tem sido usado com bons resultados em planta\u00e7\u00f5es de cana-de-a\u00e7\u00facar e caf\u00e9, por exemplo.<\/div>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n\n\n\n<p> <a href=\"https:\/\/agrosmart.com.br\/blog\/motivos-afericao-pivo-central-irrigacao\/\">O piv\u00f4 central permite a irriga\u00e7\u00e3o de grandes \u00e1reas<\/a>, com efici\u00eancia, o que \u00e9 essencial para as culturas que necessitam de produ\u00e7\u00e3o em grande escala, como as culturas de gr\u00e3os, para serem rent\u00e1veis. S\u00e3o boas not\u00edcias a respeito da irriga\u00e7\u00e3o, que precisam ser divulgadas. <\/p>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Como as fazendas podem colaborar com o suprimento de \u00e1gua do campo e das cidades?<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Bassoi &#8211;<\/strong> As propriedades rurais podem ser produtoras de \u00e1gua. Basicamente, produzir \u00e1gua \u00e9 adotar pr\u00e1ticas conservacionistas que aumentem a quantidade de \u00e1gua que se infiltra no solo. Em termos simples, isso \u00e9 feito mantendo o m\u00e1ximo poss\u00edvel de \u00e1gua na propriedade sem deixar que ela escoe para fora da propriedade. Desse modo, a \u00e1gua acaba se infiltrando no solo recarregando o len\u00e7ol fre\u00e1tico que abastece um c\u00f3rrego, um reservat\u00f3rio, um rio, ou seja, qualquer fonte de \u00e1gua do local. Essas medidas s\u00e3o conhecidas: uso de terra\u00e7os e de barraginhas, manuten\u00e7\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o no topo de morros, ao redor de nascentes, na beira do rio (mata ciliar), etc. Essas medidas tamb\u00e9m minimizam a eros\u00e3o.<\/div>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">A crise h\u00eddrica mostrou tamb\u00e9m a import\u00e2ncia da reserva\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a &#8220;poupan\u00e7a&#8221; de \u00e1gua, por meio de um reservat\u00f3rio. At\u00e9 agora isso era visto como uma pr\u00e1tica com maior import\u00e2ncia em regi\u00f5es em que h\u00e1 pouca chuva, como o Semi\u00e1rido. Estamos vivenciando que mesmo as regi\u00f5es que possuem regime regular de chuva tamb\u00e9m necessitam ter uma reserva de \u00e1gua. No campo, podem ser constru\u00eddos reservat\u00f3rios para que a \u00e1gua possa ser usada por uma ou mais propriedades agr\u00edcolas, principalmente durante per\u00edodos de escassez. Isso pode diminuir a retirada de \u00e1gua de fontes de \u00e1gua que tamb\u00e9m s\u00e3o utilizadas para abastecimento urbano ou industrial. Mas \u00e9 importante ressaltar que todos os setores usu\u00e1rios devem usar a \u00e1gua de modo racional. \u00c9 uma responsabilidade coletiva, de toda a sociedade civil, e n\u00e3o somente da agricultura.<\/div>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Se a reserva\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o importante, por que n\u00e3o se investe mais em reservat\u00f3rios no Brasil?<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Bassoi &#8211;<\/strong> Esse \u00e9 um tema importante que precisa ser melhor debatido. H\u00e1 uma ideia equivocada a respeito dos reservat\u00f3rios, pois muita gente considera que a reserva\u00e7\u00e3o pode provocar escassez de \u00e1gua para aqueles que est\u00e3o abaixo do reservat\u00f3rio, ou seja, a jusante. Isso precisa ser melhor explicado aos produtores e usu\u00e1rios de outros setores. Com gest\u00e3o integrada e planejamento, \u00e9 poss\u00edvel construir reservat\u00f3rios sem implicar escassez de \u00e1gua para outros usu\u00e1rios. Isso exige a realiza\u00e7\u00e3o de estudos que determinem os locais apropriados para se fazer os reservat\u00f3rios, quantidade de \u00e1gua a ser retida, vaz\u00e3o a ser liberada, suas finalidades, entre outros fatores.<\/div>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>&nbsp;H\u00e1 exemplos internacionais de gest\u00e3o h\u00eddrica?<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Bassoi &#8211; <\/strong>O estado norte-americano da Calif\u00f3rnia convive h\u00e1 muito tempo com a baixa disponibilidade h\u00eddrica, alta popula\u00e7\u00e3o e praticamente toda a sua agricultura \u00e9 irrigada. Uma ampla rede de reservat\u00f3rios e canais garante o abastecimento de \u00e1gua para todos os setores usu\u00e1rios. A popula\u00e7\u00e3o tem acesso di\u00e1rio \u00e0s informa\u00e7\u00f5es em telejornais locais ou regionais, ou em sites, sobre o n\u00edvel dos reservat\u00f3rios para que saibam como est\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o. A popula\u00e7\u00e3o californiana \u00e9 conscientizada pelas autoridades sobre a necessidade de uso racional da \u00e1gua em todos os setores.<\/div>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">Outros bons exemplos s\u00e3o Espanha, Austr\u00e1lia e Israel. Mais uma vez refor\u00e7o: a chave para o sucesso quanto a isso s\u00e3o planejamento e gest\u00e3o integrada dos recursos h\u00eddricos. &#8211; O que seria a gest\u00e3o integrada dos recursos h\u00eddricos? Bassoi &#8211; Vou usar uma situa\u00e7\u00e3o comum como ilustra\u00e7\u00e3o. Se a \u00e1gua de um rio ou reservat\u00f3rio \u00e9 utilizada para gera\u00e7\u00e3o de energia, abastecimento urbano e irriga\u00e7\u00e3o, deve haver um acordo comum relacionado a quanto e quando cada setor necessita de \u00e1gua, bem como \u00e9 preciso se estabelecer os limites de uso para cada um, e em casos de crise, determinar os setores que ter\u00e3o prioridade de uso. Tamb\u00e9m existe a quest\u00e3o do manejo sustent\u00e1vel dos recursos h\u00eddricos, que \u00e9 basicamente a necessidade de manuten\u00e7\u00e3o da quantidade e da boa qualidade da \u00e1gua. A Lei 9.433\/97, a chamada Lei das \u00c1guas, aborda isso.<\/div>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">Reportagem publicada no portal <a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/web\/mobile\/noticias\/-\/noticia\/3619657\/verdades-e-mitos-sobre-a-agua-na-agricultura\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Embrapa&nbsp;<\/a><\/div>\n\n\n\n<div style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image is-resized\"><a class=\"https:\/\/agrosmart.com.br\/blog\/vantagens-tipos-de-irrigacao\/\" href=\"https:\/\/site.agrosmart.com.br\/irriga\u00e7\u00e3o-lp\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agrosmart.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Ativo-1-5.png\" alt=\"controle a \u00e1gua com a irriga\u00e7\u00e3o\" class=\"wp-image-9379\" width=\"706\" height=\"229\"\/><\/a><\/figure>\n\n\n\n\n\t\t\t\t\t\t<script>\n\t\t\t\t\t\t\twindow.hsFormsOnReady = window.hsFormsOnReady || [];\n\t\t\t\t\t\t\twindow.hsFormsOnReady.push(()=>{\n\t\t\t\t\t\t\t\thbspt.forms.create({\n\t\t\t\t\t\t\t\t\tportalId: 7120388,\n\t\t\t\t\t\t\t\t\tformId: \"53efd24f-5bb7-4de2-9be5-e611db63086d\",\n\t\t\t\t\t\t\t\t\ttarget: \"#hbspt-form-1777436862000-9484540491\",\n\t\t\t\t\t\t\t\t\tregion: \"\",\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t})});\n\t\t\t\t\t\t<\/script>\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"hbspt-form\" id=\"hbspt-form-1777436862000-9484540491\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A crise h\u00eddrica brasileira levantou quest\u00f5es sobre gest\u00e3o da \u00e1gua em todos os setores. A agricultura foi apontada como um dos piv\u00f4s do problema por utilizar cerca de 70% da \u00e1gua consumida. O engenheiro-agr\u00f4nomo Lu\u00eds Henrique Bassoi diz que a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples. 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